segunda-feira, 4 de abril de 2011

Sudene ou Sedane?

Por Gustavo Maia Gomes

Desde a áurea época de Celso Furtado, nos anos 1960, até 2008, Paulo de Tarso de Moraes Souza foi funcionário da Sudene, onde ocupou cargos importantes. Sempre lutou pela existência de um órgão federal que fomentasse o desenvolvimento desta região. Mas teria de ser uma instituição forte, dotada de instrumentos poderosos. Para a revista Nordeste Econômico, que o entrevistou (no 16, ago/set 2009), ele é um “Soldado do desenvolvimento regional”.

Dá para imaginar que Paulo de Tarso tem estado muito descontente nos últimos (digamos) trinta ou quarenta anos. É que sua amada Sudene só levou pancada, nesse período. Foram fugazes os anos de glória e muito longos os de ostracismo e de críticas devastadoras. E isso tem enfurecido o soldado do desenvolvimento regional. Recentemente, ele circulou pela internet uma mensagem de indignação onde relembra que “no próximo mês de maio estará completando dez anos a extinção abrupta, inoportuna e autoritária da Sudene.”

“Mais grave ainda”, continua, é que “mesmo tendo [o governo Lula] prometido recriar a Sudene, [o que aconteceu em 2007], até o momento o órgão não retomou as suas atividades de forma satisfatória e eficaz, principalmente em decorrência de falta de apoio político, de decisão presidencial, de pessoal suficiente, e de recursos – que foram retirados pelos vetos do Executivo” [à Lei Complementar 125/07 aprovada no Congresso Nacional].

Aconteceram os vetos presidenciais e, portanto, deveria haver o pronunciamento do Congresso sobre eles. Mas não houve, não tem havido, nem vai haver, o que seria escandaloso num país com menos escândalos. Um ano, dois anos, três anos passados, e nada, nem contra, nem a favor. Estranho – ou seja, normal. Mas não para Paulo de Tarso que pergunta, em sua revolta: “por que deixamos tudo isto ocorrer contra o Nordeste e em afronta à Constituição?”

Talvez, porque outras ideias estejam ocorrendo aos iluminados da República. Por exemplo, há quem pense que chegou a hora de extinguir novamente a Sudene e, repetindo 2001, substituí-la por um órgão fantasma qualquer. Nesse caso, meu caro Paulo de Tarso, não podemos ficar de fora. Eu, de minha parte, até sugiro um nome para a nova instituição: Superintendência Extraordinária do Desenvolvimento Ambiental do Nordeste.

E uma sigla: Sedane.

1 comentários:

Alexandre Rands Barros disse...

Quem matou a SUDENE foram as viúvas de Celso Furtado que quiseram reabilitá-la com a mesma lógica errada da época dele, que prevê acima de tudo subsídios a empresários locais e promoção de ineficiência produtiva, inclusive com métodos pouco republicanos na alocação de recursos. Propor aquele modelo na época dele, sem a experiência prévia e com desenvolvimento menor da ciência econômica em temas como a economia do "rent seeking society" ou o problema de "moral harzard" na relação entre agente e principal,foi uma consequência de idealismo. Propor isso hoje é burrice ou má fé. Só poderia dar no que deu. Por que o Governo não faz uma proposta alternativa e descente, ajustada às necessidades do momento?

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