segunda-feira, 2 de maio de 2011

Biscoitos Pilar, a venda de um mito

Por Gustavo Maia Gomes

A empresa M. Dias Branco, cuja sede fica em Eusébio, Ceará, anunciou na última terça-feira (26/4) que está adquirindo o controle acionário total da fábrica de biscoitos Pilar, localizada no Recife. O grupo cearense já detém 22,2% do mercado nacional de biscoitos. Aumentará, levemente, sua participação, com a compra da empresa pernambucana. Por sua vez, a Pilar continuará a existir, como marca, por mais uns poucos anos, até desaparecer. Quem sabe, substituída pelos biscoitos MDB – de M. Dias Branco, não de Movimento Democrático Brasileiro, o precursor honrado do contemporâneo e suspeito PMDB. Será o fim de um mito.

Localizada no Recife e fundada em 1875, a fábrica de biscoitos Pilar – uma das mais antigas da América Latina – vinha enfrentando declínio relativo há décadas. Já a Dias Branco, que recentemente adquiriu a também pernambucana Vitarella, é uma empresa em ascensão.
A notícia evoca o que alguns de nós aprendemos no curso de economia sobre a “destruição criativa”, um conceito primeiro formulado por Karl Marx (1818-1883) e, em seguida, numa roupagem diferente, por Joseph Schumpeter (1883-1950). É verdade que este último tinha em mente, sobretudo, os efeitos da mudança tecnológica sobre a estabilidade das empresas, mas, numa definição mais geral, a destruição criativa ocorre sempre que alguma coisa nova mata uma velha. Como a Dias Branco acaba de fazer com a Pilar.


Nada contra, é assim que o mundo econômico avança. Na maioria das vezes, para o bem geral. Se preservarem o cheiro de biscoitos sendo torrados nas imediações do forte do Brum, no Recife Antigo, tanto melhor. Durante anos, eu e minhas filhas Marília e Claudia respiramos este ar, a cada manhã, na viagem de Olinda para a escola que elas, então, freqüentavam, em Boa Viagem. A bordo do nosso carro sem ar condicionado e, portanto, com as janelas abertas. 

Muitas vezes, o aroma do biscoito substituía a refeição matinal que não tínhamos tido tempo de comer. Um cheiro que, além de delicioso e grátis, não fazia nenhum de nós engordar.

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