terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Casarão 1105
Por Marcelo Eduardo A. Silva
Hoje tinha decidido falar sobre economia, mas a pauta econômica não me está parecendo muito inspiradora. Prenúncios de recessão aqui e acolá, a Europa tentando de tudo para segurar o euro, consumidores ávidos a gastar nas compras de fim de ano, enfim nada que me inspirasse muito a escrever na minha coluna de hoje. Não que estes temas não sejam importantes, talvez me falte inspiração. A melhor de hoje talvez tenha sido mais uma pérola do nosso ministro “fazedor de pérolas” da fazenda. Segundo o Valor Econômico de hoje o ministro teria dito que dada a preocupação com a valorização do real que “continuaremos (o governo) a tomar medidas para termos um dólar mais forte e um real mais fraco. Não há um piso nem teto, mas estamos preocupados com certos níveis”. Como assim ministro? Quando o senhor fala sobre “certos níveis” não está pressupondo um piso e teto? Ou sobre uma banda cambial? Não seria isto inconsistente? Talvez não, talvez isto seja mais um corolário da “manteganomia”.
Mas, mudando de assunto, ao vir trabalhar hoje acabei me deparando com uma notícia desagradável. Mais um casarão histórico dará lugar a um empreendimento “majestoso” que refletirá o “luxo e o progresso” de nossa cidade. O casarão 1105 da Avenida Rui Barbosa dará lugar a nada mais nada menos do que a mais uma concessionária de automóveis, se já não bastassem as muitas outras existentes em nossa cidade. Até creio que se deva dar um destino aos casarões antigos de nossa cidade, mas não para transformá-los em mais um “templo do consumo” ou num apêndice com pouca utilidade dos espigões que invadiram a nossa cidade. Progresso não é destruir nosso passado em função dos desejos de um consumismo que tomou conta de nossa sociedade. Outras cidades do mundo nos têm dado a lição de que é possível conciliar o passado com o futuro, é possível construir cidades inteligentes que permitam qualidade de vida a seus habitantes sem destruir sua história. Afinal a nossa história define o que somos. Recife é uma cidade cheia de histórias, mas com poucos museus. Recife é uma cidade cheia de artistas, mas com poucas galerias. Recife é uma cidade de intelectuais, mas sem bibliotecas. Recife é uma cidade naturalmente bela, mas com poucos parques. Recife é cercada por rios, mas não podemos usá-los. Infelizmente, somos vítimas da incompetência (ou seria má intenção mesmo?) de nossos gestores públicos que acham que a grande contribuição deles consiste em tapar buracos, coletar lixo, construir viadutos e aumentar a arrecadação de IPTU. O resultado disto é que no ritmo que vamos continuaremos a dar adeus ao nosso passado de dentro de nossos automóveis literalmente parados no trânsito de nossa cidade, ou de dentro de mais um shopping, ou de dentro de mais um arranha-céu.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário