quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Superávit do Setor Público: Óticas Distintas


Por Alexandre Jatobá

O Banco Central divulgou hoje um balanço dos gastos do Setor Público até o mês de novembro. Os resultados trazem uma série de informações que fazem com que possamos analisar os dados sob perspectivas diferentes.

Um otimista diria o seguinte: os resultados foram muito bons. Afinal, conseguimos reduzir a relação Dívida/PIB em 2,5 pontos percentuais no ano. Em novembro, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) representou 36,6% do PIB.  Comparada a situação de grandes economias como a dos EUA e da maior parte dos países da Europa, pode-se dizer que nossa situação é bastante confortável. O setor público também conseguiu economizar bem mais do que em 2010. Até novembro do ano passado o superávit primário acumulado havia sido de R$ 90,8 bi. Neste ano, economizou-se R$ 126,8 bi. Isso mostra que continuamos conseguindo manter nossa austeridade fiscal.

Um pessimista diria o seguinte: apesar de termos economizado mais, o montante destinado ao pagamento dos juros continua muito alto. Até novembro pagou-se nominalmente em juros R$ 216,1 bi (contra R$ 175,8 bi no mesmo período de 2010). Ou seja, economizamos R$ 36,0 bi a mais do que em 2010, mas tivemos que pagar R$ 40,3 bi a mais em juros do que no ano passado. O resultado final disso foi uma elevação de R$ 4,3 bi no déficit nominal (DLSP). Isso mostra que o esforço não está sendo suficiente para reduzir a dívida. Estamos como um cidadão endividado que, apesar de ter cortado alguns supérfluos, continua usando cada 
vez mais o cheque especial.

Você é o otimista ou o pessimista?

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

As ligações perigosas

Por Gustavo Maia Gomes
Choderlos de Laclos publicou o seu romance Les liaisons dangereuses em 1782. Se o tivesse escrito no Brasil de hoje, as ligações perigosas de que fala bem poderiam ser aquelas que se estabeleceram entre juízes e deputados. Perigosas para o país, bem entendido; muito lucrativas para eles.
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Duas notícias se destacaram na semana passada – uma nacional, outra, pernambucana, mas com repercussões que se ampliarão muito no tempo e no espaço:
Ministro beneficiou a si próprio ao paralisar inspeção. O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski está entre os magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo que receberam pagamentos sob investigação do Conselho Nacional de Justiça. (Folha de São Paulo, 21/12/2011).
Assembleia está distribuindo milhões. A Assembleia Legislativa de Pernambuco decidiu pagar auxílio-moradia [retroativo a 1997] a diversos deputados e ex-deputados. O valor pode chegar a mais de R$ 1 milhão por deputado (ou ex-deputado). (Blog Acerto de Contas, 22/12/2011)
Aparentemente desconexas, as duas notícias abrem uma fresta sobre algumas das ligações que se estabeleceram entre os integrantes do Judiciário e a classe política, no Brasil contemporâneo. Senão, vejamos:
No caso dos juízes, os pagamentos foram feitos “com base em direito reconhecido em 2000, quando o STF decidiu que todos os magistrados do País deveriam ter recebido aquilo que, durante alguns anos da década de 90, foi pago apenas aos parlamentares”. (Portal Terra, 23/12/2011).
No caso dos deputados, o presidente da Assembleia “[Guilherme] Uchoa lembrou que o pagamento [do auxílio-moradia] também está sendo recebido pelos tribunais de Justiça e de Contas e pelo Ministério Público de Pernambuco” (Band.com.br, 25/12/2011)
Ou seja, para quem não entendeu bem: os juízes podem receber porque os deputados recebem; os deputados podem receber porque os juízes recebem.
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É preciso dizer que nem sempre juízes e deputados tiveram as regalias atuais ou ganharam a exorbitância que ganham hoje. Sem recuar muito na história, durante o regime militar (ou seja, de 1964 a 1985), ambas as “categorias”, além de viverem atormentadas pelo espectro da demissão arbitrária ou cassação de mandatos, recebiam pouco dinheiro. Os donos da pátria eram os militares de alta patente, que abocanhavam os gordos salários nas empresas estatais respaldados na sua competência em dar tiros de canhão.
A partir de 1985, tudo isso mudou. No seu período de domínio, os militares se sustentavam escorados no crescimento econômico (que gerava ganhos pecuniários para todos, mesmo se desigualmente distribuídos) e na repressão (que inibia os insatisfeitos, permanentemente ameaçados de prisão, morte ou tortura). Portanto, as forças que se organizaram para derrubá-los tinham de buscar outros pontos de apoio. Se houvesse crescimento, ótimo; mas a repressão estava fora de pauta. As palavras de ordem que, no novo regime, abririam as portas para conquistar e manter o poder seriam “eleições diretas”, “participação”, “estado de Direito”, “autonomia e equiparação dos poderes” e semelhantes.
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Nesse ambiente, uma aliança logo se formou entre deputados (e senadores...) e juízes (e desembargadores, procuradores...). Os primeiros faziam as leis que criavam regalias para eles mesmos; os segundos garantiam a constitucionalidade dessa nova legislação e, apelando para a “equiparação dos poderes”, estendiam a si próprios os benefícios. Ou então, numa variante do mesmo processo, os deputados e senadores instituíam as leis encomendadas pelo Judiciário para beneficiar seus integrantes, as quais eram, posteriormente, interpretadas como se aplicando também aos parlamentos.
Enquanto isso, o Executivo (à exceção de setores muito específicos) era mantido como refém: se esboçasse reagir, não teria uma só proposta acatada no Congresso, nem as contas aprovadas, nem a tranqüilidade de viver sem a ameaça de uma coerção judicial. Ou, quem sabe, os deputados e senadores criariam uma CPI (para os menos informados: Comissão Parlamentar de Inquérito), ou uma ameaça de impeachment.
Esse processo teve uma dimensão macroeconômica graças à qual os privilégios criados para o Legislativo e o Judiciário puderam ser, realmente, pagos. A “autonomia” foi traduzida por estes dois poderes como significando que cada um (embora tenha responsabilidade zero pela arrecadação de impostos) pode fixar suas próprias receitas, cabendo ao Executivo, compulsoriamente, fornecer-lhes o dinheiro correspondente. Ninguém precisa ser muito sábio para deduzir que receitas ilimitadas logo seriam transformadas em remunerações astronômicas. Ou que, extorquido pelos dois outros poderes, ao Executivo restaria apenas cortar investimentos (com as conseqüências que facilmente se imaginam) e comprimir os salários de seus próprios servidores.
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Uma frase muito repetida na década de 1950 era “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. Em 2011, saúvas são as relações perigosas que se estabeleceram entre juízes e deputados, cujos “direitos” aumentam na mesma magnitude em que os nossos diminuem.
Infelizmente, foi mais fácil acabar com as formigas do século XX do que será extinguir as saúvas de hoje.

Este artigo será publicado, simultaneamente, em http://www.blogdatametrica.com.br, http://www.econometrix.com.br e http://www.gustavomaiagomes.blogspot.com (26 dez 2011)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Casarão 1105


Por Marcelo Eduardo A. Silva

Hoje tinha decidido falar sobre economia, mas a pauta econômica não me está parecendo muito inspiradora. Prenúncios de recessão aqui e acolá, a Europa tentando de tudo para segurar o euro, consumidores ávidos a gastar nas compras de fim de ano, enfim nada que me inspirasse muito a escrever na minha coluna de hoje. Não que estes temas não sejam importantes, talvez me falte inspiração. A melhor de hoje talvez tenha sido mais uma pérola do nosso ministro “fazedor de pérolas” da fazenda. Segundo o Valor Econômico de hoje o ministro teria dito que dada a preocupação com a valorização do real que “continuaremos (o governo) a tomar medidas para termos um dólar mais forte e um real mais fraco. Não há um piso nem teto, mas estamos preocupados com certos níveis”. Como assim ministro? Quando o senhor fala sobre “certos níveis” não está pressupondo um piso e teto? Ou sobre uma banda cambial? Não seria isto inconsistente? Talvez não, talvez isto seja mais um corolário da “manteganomia”.

Mas, mudando de assunto, ao vir trabalhar hoje acabei me deparando com uma notícia desagradável. Mais um casarão histórico dará lugar a um empreendimento “majestoso” que refletirá o “luxo e o progresso” de nossa cidade. O casarão 1105 da Avenida Rui Barbosa dará lugar a nada mais nada menos do que a mais uma concessionária de automóveis, se já não bastassem as muitas outras existentes em nossa cidade. Até creio que se deva dar um destino aos casarões antigos de nossa cidade, mas não para transformá-los em mais um “templo do consumo” ou num apêndice com pouca utilidade dos espigões que invadiram a nossa cidade. Progresso não é destruir nosso passado em função dos desejos de um consumismo que tomou conta de nossa sociedade. Outras cidades do mundo nos têm dado a lição de que é possível conciliar o passado com o futuro, é possível construir cidades inteligentes que permitam qualidade de vida a seus habitantes sem destruir sua história. Afinal a nossa história define o que somos. Recife é uma cidade cheia de histórias, mas com poucos museus. Recife é uma cidade cheia de artistas, mas com poucas galerias. Recife é uma cidade de intelectuais, mas sem bibliotecas. Recife é uma cidade naturalmente bela, mas com poucos parques. Recife é cercada por rios, mas não podemos usá-los. Infelizmente, somos vítimas da incompetência (ou seria má intenção mesmo?) de nossos gestores públicos que acham que a grande contribuição deles consiste em tapar buracos, coletar lixo, construir viadutos e aumentar a arrecadação de IPTU. O resultado disto é que no ritmo que vamos continuaremos a dar adeus ao nosso passado de dentro de nossos automóveis literalmente parados no trânsito de nossa cidade, ou de dentro de mais um shopping, ou de dentro de mais um arranha-céu.

Papai Noel, enforcado, está vivo

Por Gustavo Maia Gomes


Em 24 de dezembro de 1951, o personagem conhecido como Papai Noel morreu na forca – e foi queimado, em seguida –, sob a acusação de transformar o Natal num evento de consumo. Isso ocorreu na catedral de Dijon, França. Os padres locais aprovaram tudo, mas não conseguiram evitar que o morto reaparecesse, alguns dias depois, na mesma cidade. Lépido e fagueiro, curtindo sua fama, que não é pouca.

Nem surpreendente: uma vez por ano, o velho recebe mais propaganda gratuita do que Jesus Cristo, seu patrão e aniversariante do mês. De fato, Papai Noel é o Natal, evento que provoca euforia no comércio, motiva a produção de inúmeros artigos acadêmicos e sustenta tanto a indústria de enfeites quanto uma multidão de inventores esquisitos. Nos Estados Unidos, sobretudo, mas não exclusivamente. 

A produção científica sobre a festividade, movida a dinheiro e povoada de estudos duvidosamente relevantes, é pouco conhecida. Vale ter uma breve notícia dela, assim como dos produtos natalinos: bugigangas patenteadas, que, em conjunto, refletem e ajudam a sustentar a prosperidade movida pelas compras.
NATAL CIENTÍFICO
Uma pequena amostra, encontrável na internet:
1.                  Ray Cradick testou a hipótese de que os desenhos de Papai Noel aumentariam de tamanho até o Natal, mas se tornariam menores depois. Parece que as figuras, realmente, crescem antes do Natal. Mas, como não diminuem, depois, terminarão maiores que o consultório psiquiátrico onde são desenhadas.
2.                  A contribuição de Eileen Fischer e Stephen J. Arnold para o conhecimento humano é a descoberta de que os homens que “sustentam atitudes igualitárias em relação ao papel dos gêneros se envolvem mais na compra de presentes natalinos”. Ou seja, se comportam como as mulheres. Embora pareça banal, chegar a tanto custou caro: eles entrevistaram 299 pessoas.
3.                  Joel Waldfogel afirma ser muito improvável que, ao dar um presente, o doador escolha exatamente aquilo que o beneficiado compraria com o mesmo dinheiro. Em todos os outros casos, isso não ocorreria. A discrepância pode ser interpretada como uma perda social de bem-estar. Que fazer? Nem eu sei nem, aparentemente, ele.
4.                  James Hillard e colaboradores iniciaram seu estudo reconhecendo existir a crença de que a época do Natal está associada à maior incidência de crises psicóticas. Chegaram à conclusão de que é o contrário: existe um decréscimo delas. Infelizmente, passado dezembro, o que tinha caído volta a subir. No fim das contas, só os médicos ganham, pois têm mais tempo para as compras natalinas.
Em resumo, a literatura científica sobre o Natal trata dessas coisas. Assim como o Natal, a produção acadêmica responde aos impulsos do mercado, ajudado pelos financiamentos governamentais. Existem os financiadores e os que querem ser financiados. Portanto, aparecem as pesquisas. Mas talvez haja dinheiro demais. Considerando algumas das coisas que os acadêmicos andam estudando, esta é uma possibilidade real.
NATAL INDUSTRIAL
Passemos agora para o lado prático da coisa: as invenções natalinas e suas respectivas patentes. A primeira impressão é chocante: se a humanidade dependesse dessas invenções para viver, estaríamos em perigo. Por exemplo: um homem de ideias inovadoras inventou o disco CD em forma de árvore de Natal. Deve ser um problema, aquele negócio triangular girando a alta velocidade. Outro, um clipe para luzes natalinas. Não bastariam os clipes que já existem? O terceiro, um suporte para luzes que pode ser preso ao telhado. Já não temos tantos lugares onde colocar lâmpadas? Por que o telhado? Há, também, uma varinha sustentando pequenas luminárias. Tudo patenteado. Um besteirol completo.
Felizmente, a sobrevivência da humanidade não depende dessas coisas. Mas a lição que fica é outra: os que patenteiam clipes esperam ganhar dinheiro com isso. Devem conseguir. E a soma dos ganhos com luzes, clipes, suportes e tudo o mais é parte da diferença para melhor entre os países onde a burguesia “faz maravilhas” (para usar a expressão de Marx e Engels no Manifesto Comunista) e aqueles onde ela está proibida de fazê-las. Quem quiser que prefira estes últimos. Não é meu caso, nem o da China.
Moral da história: é melhor aturar Papai Noel uma vez ao ano do que Fidel Castro o ano inteiro.

Este artigo será publicado, simultaneamente, em http://www.blogdatametrica.com.br, http://www.econometrix.com.br e http://www.gustavomaiagomes.blogspot.com (19 dez 2011)

Referências
Ray A. Cradick, “Size of Santa Claus drawings as a function of time before and after Christmas”. Journal of Psychological Studies, Vol 12(3), 1961, 121-125.
Eileen Fischer and Stephen J. Arnold, “More than a labor of love: gender roles and Christmas gift shopping”. Journal of Consumer Research, Dec 1990.
Joel Waldfogel, “The deadweight loss of Christmas”. American Economic Review, vol. 83, n. 45, n. 5, Dec. 1993.
Carole B. Burgoyne e David A. Routh, “Constraints on the use of Money as a gift at Christmas: the role of status and intimacy”. Journal of Economic Psychology, vol. 12, Issue 1, March 1991.
James R. Hillard, Jacqueline M. Holland, and Dietolf Ramm, “Christmas and Psychopathology: Data From a Psychiatric Emergency Room Population”, Archives of General Psychiatry, 1981; 38 (12).

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

PIB dos municípios confirma boa fase do Nordeste

Por Fernando Dias

Os recém-divulgados números dos PIB´s municipais confirmam a boa fase do Nordeste em temos de crescimento, porquanto revelam que não somente a Região cresce como um todo acima da média do Brasil, mas também este crescimento é compartilhado entre a grande maior dos municípios nordestinos. A figura abaixo mostra a distribuição da taxa de crescimento acumulada entre 2005 e 2009 segundo os municípios do Nordeste, evidenciando que o crescimento é agora compartilhado e não mais circunscrito. Para o período a média da taxa foi de 5,7% a.a. para o Nordeste enquanto para o Sudeste foi de apenas 3,6% a.a..





Pode-se observar, contudo que houve ocorrência de municípios com taxas de crescimento negativas para o período. Porém isto não é uma particularidade do Nordeste e ocorreu em todas as Regiões. Mais relevante é o fato que o Nordeste foi a Região com o maior número absoluto de municípios com crescimento positivo, superando, portanto o Sudeste que apresenta um maior número absoluto de municípios. A figura a seguir apresenta os resultados dos municípios com crescimento positivo por Região.





Estes resultados são importantes para a Região não apenas por concentrar a pobreza no país, mas também por indicar uma mudança no padrão de crescimento dentro da Região, que sempre foi concentrado nas cidades de maior porte. Espera-se que a tendência se consolide.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Onde andarão as PPPs?

Por Carlos Magno Lopes

As Parcerias Público-Privadas (PPPs), concebidas para solucionar a baixa capacidade do setor público em mobilizar recursos para investimentos, continuam a evoluir com timidez, muito aquém das expectativas inicialmente projetadas. As PPPs, apesar de atraentes no papel, não deslancham.
 
As PPPs apresentam características que a diferenciam, para melhor, das licitações tradicionais, como definidas na chamada Lei das Licitações (Lei 8,666), porquanto o setor privado participa da administração do serviço concedido e é remunerado através de tarifa e da contraprestação de pelo parceiro público. Isso significa que, nas PPPs, o setor privado, como será o operador, deve zelar pela qualidade da construção de um projeto de infraestrutura, por exemplo.

Outra característica importante das PPPs resulta do fato de que representam uma alternativa às privatizações, isto é, eliminam o temor de privatizações, intrínsecas a largos segmentos ideológicos da administração pública, especialmente aqueles que objetivam construir, no Brasil, um vagamente definido capitalismo de Estado, ou seja, uma economia de mercado na qual o Estado é o dono de tudo. Isso ocorre na medida em que o setor privado não possui a titularidade do serviço prestado, que permanece com o setor público.

Se as PPPs são tão atraentes, que motivos espantam empresários e governos, cujos interesses seriam atendidos por esse tipo de modelagem financeira? Governos não mais precisariam usar seus parcos recursos próprios ou contrair empréstimos para financiar suas obras; o setor privado ganharia duplamente: na construção e na operação. Qual é, então, o problema?

O setor privado tem se mostrado mais atraente estabelecer parcerias com empresas estatais e seus respectivos fundos de pensão, devido ao menor (ou inexistente) risco de desequilíbrio fiscal em relação à parcerias com estados e municípios. Em segundo lugar, o atual modelo de concessões, que tem produzido resultados relativamente bons, envolve riscos de insegurança jurídica menor que os fundo garantidor das PPPs para o capital privado. Por último, a inigualável burocracia, especialmente criada para dificultar, ao máximo, as PPPs.

As PPPs, em suma, representam mais uma boa ideia transformada em pesadelo pela burocracia estatal brasileira.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Datamétrica é destaque nas edições de hoje do Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco.

As previsões sobre a economia do Nordeste, feitas pela Datamétrica, foram divulgadas ontem durante apresentação de Alexandre Rands na Câmara Americana de Comércio.

Matéria Publicada no Jornal do Commercio, Caderno de Economia - 14/12/2011




COLUNA DE FERNANDO CASTILHO - JC NEGÓCIOS

O impacto dos investimentos 




Matéria Publicada no DIARIO DE PERNAMBUCO, Caderno de Economia 14/12/2011

Onda de investimentos



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Reincidências alagoanas


Por Gustavo Maia Gomes

Sob muitos aspectos, Alagoas é uma decepção. Estado, relativamente, rico em recursos naturais, tem uma economia truncada, fortemente dependente da cana-de-açúcar e seus produtos, e uma situação social deplorável até para os padrões nordestinos. De onde vêm tantos problemas? A resposta envolve muitos fatores, mas, dentre eles, a política tem lugar de destaque. Confira, abaixo, uns poucos retratos impressionistas (e impressionantes) de como o poder é conquistado e mantido naquela terra. Começando por uma notícia fresquinha, fresquinha...
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1) Deu no jornal de hoje: "Investigação da Polícia Federal afirma que a família do senador e ex-presidente Fernando Collor pagou [R$ 2,2 milhões] em 1998 pelo dossiê Cayman, conjunto de papéis forjados para implicar tucanos com supostas movimentações financeiras no exterior. Segundo o inquérito, o senador teria recebido pessoalmente a papelada das mãos de um envolvido, em Maceió”. (Folha de São Paulo, 12/12/2011)
2) Deu no jornal de ontem: "O Ministério Público Federal informou que pediu à Justiça a inclusão dos nomes dos ex-governadores de Alagoas Manoel Gomes de Barros e Ronaldo Lessa no rol de denunciados por má gestão de recursos de verbas destinados às obras de macrodrenagem do Tabuleiro dos Martins. Subscrito pela procuradora da República Niedja Kaspary, o pedido foi encaminhado com base em investigações conduzidas pelo próprio MPF-AL e Polícia Federal". (O Estado de São Paulo, 30/11/2010)
3) Deu no jornal de anteontem: "O Supremo Tribunal Federal abriu investigação sobre supostas práticas de improbidade administrativa e de tráfico de influência exercidas pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), [que] já é investigado pelo STF em outro caso. A pedido do próprio senador, o Tribunal instaurou, em agosto de 2007, inquérito para apurar se ele usou notas frias de compra e venda de gado para disfarçar o pagamento de despesas pessoais por um lobista. Supostamente, a empreiteira Mendes Júnior pagava a pensão da filha de Renan com a jornalista Mônica Veloso – algo que Renan nega". (UOL Notícias: Política, 02/08/2010)
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Se fosse só isso, seria bastante. Mas, se você pesquisar, encontrará muito mais, por exemplo,
a) sobre Silvestre Péricles (governador, 1947/51) que no último dia de mandato besuntou as paredes do Palácio com suas próprias fezes, para assim recepcionar o arquiinimigo Arnon de Mello, eleito para sucedê-lo. Não tinha feito muito mais do que isso, nos quatro anos anteriores.
b) sobre o mesmo Arnon que, em 1963, tentando balear Silvestre Péricles (ambos eram senadores, nesta época), matou em pleno Senado o acreano José Kairala, um suplente que entregaria o cargo ao titular no dia seguinte – e que não tinha nada a ver com aquela briga. Além da falta de pontaria, o desastrado atirador também se distinguiu por ter legado ao mundo um filho de nome Fernando (Collor de Mello). Acha pouco?
c) sobre Geraldo Bulhões (governador, 1991/95), uma nulidade política que entregou o poder à mulher, de quem levava surras diárias com toalhas molhadas. Um dia, os humoristas do Casseta e Planeta (TV Globo) foram a Maceió perguntar à verdadeira governadora: “dona Denilma, na sua casa, quem tem Bulhões?”. Pergunta desnecessária: em Alagoas, todos sabiam quem, dos dois, tinha Bulhões. Enquanto isso, o Estado prosseguia parado, quando a situação era boa; ou afundando, quando era normal.
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Quem quiser conhecer melhor a política alagoana – menos sobre corrupção ou toalhas molhadas e mais sobre assassinatos – deve ler o livro de Jorge Oliveira Curral Da Morte (Rio de Janeiro, Editora Record, 2010). Trata-se de uma reportagem sobre os crimes de mando em Alagoas, focada em 1957, quando o pedido de impeachment do então governador Muniz Falcão levou a um tiroteio de metralhadoras dentro da Assembleia Legislativa. Apurados os “votos”, havia um deputado morto e cinco feridos.
Jorge Oliveira conta, no livro, ter entrevistado um velho jornalista alagoano que, conduzindo-o pela rua do Comércio, (à época, a principal de Maceió), ia apontando cada ponto onde alguém tinha sido assassinado por razões políticas. Conclusão do autor de Curral da Morte: “se houvessem colocado uma cruz em cada um desses locais, isso aqui seria um cemitério”.
Para os alagoanos (ou “meio alagoanos”, como eu), conhecer ou relembrar tais histórias e confrontá-las com a situação lamentável a que essa gente levou o Estado dá um pouco de tristeza e muito de raiva. Meu pai concordaria; meu irmão, tenho certeza, concordará.


Este artigo será publicado, simultaneamente, em http://www.blogdatametrica.com.br, http://www.econometrix.com.br e http://www.gustavomaiagomes.blogspot.com (12 dez 2011)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Emprego da indústria do Nordeste recua em outubro


Por André Magalhães

Dados da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário do IBGE, divulgada hoje, com os números para o mês de outubro, apontam para uma redução no nível de ocupação da indústria do Nordeste. O recuo em outubro foi de -0,3% na comparação com o mesmo mês no ano anterior. No ano, o emprego na região ainda apresenta crescimento (1,7%). O desempenho conjunto dos estados da região foi semelhante ao nacional.

No Nordeste, a pesquisa considera os estados do Ceará, Pernambuco e Bahia. A queda foi devida ao fraco desempenho da indústria do Ceará (-2,8% no mês), confirmando o desempenho já observado em períodos anteriores. O destaque positivo na região foi o desempenho de Pernambuco, com um crescimento de 4,4% na comparação com o mesmo mês de 2010; que só não foi melhor que o do Paraná (cresceu 6,1% em outubro).

Chama a atenção o crescimento da folha salarial da indústria de Pernambuco (12,6% no mês). Isso pode indicar que o Estado está contratando pessoas em função de maior remuneração, mas também pode indicar uma elevação no custo da mão-de-obra local que pode ter reflexos no desempenho e competitividade da indústria. Por enquanto é comemorar e acompanhar.