Por Fernando Dias
Na quarta-feira, dia 1º de fevereiro começa o retorno às aulas das escolas públicas em particulares em todo o Nordeste. Alívio para os pais por um lado, transtorno para os motoristas por outro. Em todas as capitais no Nordeste, e nas três maiores em particular, a diferença no tempo médio que se passa no trânsito nos períodos de férias escolares versus de aulas é gritante. Não é algo que sequer precise ser medido, qualquer motorista percebe e isto já faz muitos anos.
O que as autoridades de trânsito farão desta vez para garantir a fluidez do tráfego? O mesmo de sempre, absolutamente nada. A discussão sobre mobilidade nas grandes cidades ainda assume basicamente ou o contorno de grandes obras ou contorno de manifestações contra aumentos do transporte público. Intervenções pontuais e necessárias ficam na esfera da burocracia, e a julgar pela expressiva piora no trânsito das principais capitais nordestinas, isto não é levado com a seriedade necessária.
Em geral o argumento oficial é que o problema se deve ao aumento dos veículos nas ruas. Isto é em parte verdade, mas apenas em parte. Se fosse só isso o trânsito seria homogêneo todo o ano, e percursos que são feitos em 20 minutos nas férias não levariam uma hora no período de aulas.
A grande questão é que os ajustes pontuais são impopulares, enquanto construir grandes obras elege os gestores. Um ajuste mais que recomendado é mudar os horários das escolas para não coincidirem com o horário comercial, outro é obrigar as escolas a criarem infraestrutura para os veículos pararem e não fazerem fila tripla nos corredores de tráfego. Sequer estruturar transporte coletivo para os alunos se faz, se deixa que o mercado resolva.
Tudo isto é conhecido, todos os anos se vê o mesmo, mas incomoda corrigir e eleitor não deve ser incomodado. Nem é preciso novas Leis, basta garantir o cumprimento das existentes. Enquanto houver bode expiatório para o tráfego, nada deve mudar. É mais um gasto desnecessário na conta do contribuinte.
1 comentários:
Outra alternativa interessante é a reversão do fluxo em determinadas avenidas (ou em pelo menos de parte dalas) durante os horários de pico. Só que isso demanda uma capacidade de planejamento que, infelizmente, os nossos gestores públicos parecem não ter.
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