segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Bahia reage à crise

 Por Carlos Magno Lopes

A Bahia, entre os estados nordestinos, foi o mais afetado pela crise financeira internacional de 2008-2009, sobretudo o setor industrial, concentrado em Camaçari. Desde então, a evolução dos principais indicadores da economia baiana evidenciam acentuada perda de dinamismo, em que pese os bons resultados registrados pela efervescente produção de grãos no Oeste. Para agravar ainda mais esse cenário, a crise na Zona do Euro trouxe efeitos negativos adicionais à sua já combalida indústria.
Notícias recentes, contudo, trazem de volta justificáveis esperanças de retomada de dinamismo da economia baiana, começando pelo fim da relativa estagnação do polo de Camaçari. Com efeito, a Basf anunciou investimento de R$ 1,25 bilhão em um Complexo Acrílico (ácido acrílico e acrilato de butila), seguido de investimento da Kimberly Clark, intensivo no uso desses insumos, da ordem de R$ 100 milhões. Previsões iniciais indicam que o Complexo Acrílico deverá exportar USD 300 milhões anuais, para atender a demanda de toda a América do Sul.

Também em Camaçari, a Ford confirmou investimento em uma fábrica de motores, estimado em R$ 400 milhões, enquanto a JAC Motors promete investimentos de R$ 900 milhões. No segmento de produtos de beleza e higiene, o Boticário, confirmou investimentos que poderão chegar a R$ 500 milhões. A reativação do polo de Camaçari, criado em 1978, é de especial importância para a economia baiana, dada sua importância para a economia do estado, uma vez que responde por cerca de 10% da arrecadação de ICMS e por quase 30% de tudo que a Bahia produz.

As boas notícias para os baianos não se limitam aos investimentos em Camaçari. A Bahia Mineração (BAMIN) investe R$ 1,5 bilhão em projeto para extração e beneficiamento de minério de ferro, em Caetité. A dimensão do investimento é tal que Caetité deverá se tornar o terceiro maior produtor nacional de minério de ferro, superado apenas por Carajás (PA) e o Quadrilátero Ferrífero (MG).

Ainda que os efeitos negativos da crise de 2008-2009 sobre a indústria baiana ainda persistam e a crise na Zona do Euro contribua para reduzir a velocidade de recuperação da indústria baiana, a retomada de dinamismo do polo de Camaçari tem um significado especial, que não é capturado apenas por indicadores econômico-financeiros: os bons ventos em Camaçari trazem de volta o otimismo, sem o qual não há espírito animal, para usar uma expressão de Keynes, que resista. A Bahia volta, enfim, ter o que celebrar.

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