Por Fernando Dias
Foi anunciado esta semana um acordo entre a alemã E.ON e a MPX, do empresário brasileiro Eike Batista, que envolve investimentos da ordem de R$ 18 bilhões de reais com igual participação de ambas as empresas. Com este acordo se formará a maior empresa privada de energia do Brasil, com capacidade total projetada equivalente a 20% da produção nacional atual.
Este acordo é relevante para o Nordeste, pois se encontra entre os estados do Maranhão e do Piauí um dos principais negócios a serem erguidos. É o complexo do Parnaíba, um investimento de R$ 6,5 bilhões que prevê a geração de energia a partir do gás natural da bacia do Parnaíba. Contando atualmente com um contrato de venda de energia já negociado por 20 anos, a partir de 2014, e empréstimo já aprovado pelo BNDES de R$ 1,6 bilhão, o grupo de Eike agora ganha novo fôlego para implementar as demais unidades previstas.
O negócio no Vale do Parnaíba parece uma boa ideia para todos. Para os estados do Maranhão e do Piauí, que estão entre os mais pobres e de piores indicadores sociais do Brasil (e do mundo), um investimento que equivale a mais de 10% do PIB combinado é uma excelente notícia, e quanto mais garantias que ele irá de fato ocorrer, melhor. Para a E.ON fechar a parceria a MPX também é ótima notícia, pois esta gigante alemã vinha, já havia meses, tentando reduzir sua exposição ao risco de concentrar operações na atualmente problemática economia europeia.
Para o empresário brasileiro é excelente, afinal estará expandindo seus negócios em um setor que tem previsão de crescimento anual de 4,5% pelos próximos dez anos, e fará isso com o dinheiro dos outros. Para o Brasil é bom por dois motivos, eleva a oferta de energia e apresenta uma opção para os campos de gás em áreas distantes dos centros de consumo. Afinal é muito mais fácil produzir energia e entregar ao sistema nacional de distribuição que, alternativamente, produzir gás e arcar com uma rede própria de gasodutos ou com os elevados custos do transporte marítimo e/ou rodoviário.
Até para o consumidor é bom, pois eleva a oferta de energia e reduz os riscos de apagão dada a regularidade da oferta de gás. Só não é tão bom porque a energia térmica, mesmo produzida com gás natural, é bem mais cara que a de fonte hidráulica. Se bem que com os 20 anos de discussão sobre Belo Monte, onde se coloca que passar de uma relação de 0,204 para 0,209 índios por km2 teremos uma tragédia humana e ambiental, é de se perguntar se de fato ainda há algum potencial hídrico...
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