Por Carlos Magno Lopes
Não é um novo elemento da tabela periódica, tampouco algum novo princípio ativo para eliminar celulites e rugas. G3, ou Grupo dos Três, é uma expressão singela que se refere às três maiores economias do Nordeste: Bahia, Pernambuco e Ceará, que juntos respondem por 63,7% do PIB da região. Por essa razão, por onde caminhar o G3 seguirá o Nordeste.
O comportamento recente das economias dos estados-membros do G3, ao que parece, projeta assimetrias, as quais, evidentemente, poderão ou não, se concretizar. Em 2009, o PIB da Bahia, a maior economia, foi de cerca de R$ 121,4 bilhões, enquanto o PIB de Pernambuco e o do Ceará, representaram 55,4% e 47,8% do PIB baiano. Há, portanto, um significativo hiato, relativo ao tamanho, entre o estado líder do G3, a Bahia, e os demais membros.
Considerando o diferencial entre o tamanho da economia baiana, de um lado, e a de Pernambuco, de outro, será difícil para a economia pernambucana, a segunda maior da região, alcançar a da Bahia em um futuro próximo. No entanto, considerando o expressivo portfolio de investimentos de Pernambuco, até 2015, é possível imaginar uma redução substantiva do hiato do PIB em relação à Bahia, mesmo que o crescimento baiano mantenha os níveis recentes. Dessa forma, em relação ao tamanho, a diferença entre as economias da Bahia e de Pernambuco tende a se reduzir acentuadamente.
O próximo passo, portanto, é avaliar a relação entre o PIB da Bahia e o do Ceará. No Ceará, além de dois importantes empreendimentos (refinaria e siderúrgica), há pouco ou quase nada acontecendo na indústria, cuja anemia nem de perto lembra o surto industrial dos anos 1990. Na agropecuária, à exceção dos bons resultados da fruticultura (melão), os avanços são lentos, pequenos ou inexistentes, apesar dos 100.000 hectares irrigados improdutivos ou com baixa produtividade. O turismo, no entanto, conseguiu evitar a mesmice e segue um planejamento estratégico ousado, com direito a aquário e aeroportos regionais, que vem produzindo excelentes resultados. Nesse contexto, é difícil imaginar que o hiato entre o PIB do Ceará e o da Bahia venha a se reduzir no futuro próximo. Ao contrário, poderá até mesmo aumentar.
Como quase tudo na vida é dinâmico, o lugar até agora ocupado confortavelmente pelo Ceará no G3 pode ser ameaçado pelo Maranhão, cujo PIB corresponde a 29,7% do da Bahia. O Maranhão tem a seu favor um quase inesgotável complexo mínero-siderúrgico, a produção de grãos, uma nova refinaria de petróleo, celulose e uma dádiva divina, o porto de Itaqui, que está longe de seu potencial. No entanto, no seu passivo existe uma pedra: há quase cinquenta anos o Maranhão vive mergulhado nas trevas, graças à pior safra de governos de que se tem notícia na história republicana. Até quando?
0 comentários:
Postar um comentário