quinta-feira, 15 de março de 2012

O Nordeste já tem seu bilionário

Por Carlos Magno Lopes

O conceito de self made man, um dos princípios inspiradores do “sonho americano”, tem origem nobre, que remonta a Benjamin Franklin, um dos Founding Fathers da que viria se tornar a maior potência da história mundial recente, os Estados Unidos da América do Norte. Franklin, um homem oriundo de classes populares, alcançou o apogeu social de seu país, mas o mais importante legado de Franklin, além de seu ideário democrático, foi mostrar ser possível liderar seu povo, ainda que no período formativo, sem ter herdado elevada posição social, mas tê-la construída através da educação (em contraste com alguns lideres latino-americanos) e do entendimento pleno e honesto das aspirações de sua gente.

No ramo dos negócios, a imagem do self made man também serve de inspiração para jovens e, às vezes, não tão jovens empreendedores. Da mesma forma que estadistas, da dimensão de Benjamim Franklin, há grandes homens de negócios que constroem a si próprio, nascem sem herança social, e, sobretudo, sem nenhuma perspectiva de herdarem riquezas produzidas por seus antepassados. Para serem um verdadeiro self made man, na acepção de Franklin, contudo, não basta ter prestígio social, pois precisam conduzir seus negócios com ética e lisura. De fato, a condecoração de Sir é menos difícil do que ser um self made man.

A revista Forbes anunciou uma lista com os maiores 1.226 bilionários do mundo inteiro, relativa a 2011. Não é difícil perceber que a grande maioria não é composta por self made men, por não atenderem aos critérios de Franklin, inclusive o da ética. Dessa lista fazem parte 36 brasileiros, o que representa 2,9% de todos os bilionários do mundo. Chamou atenção da mídia o fato de, pela primeira vez, ter como um de seus membros o empresário cearense Francisco Ivens de Sá Dias Branco, do setor de alimentos (biscoitos, massas e moinhos de trigo), cuja riqueza é de 3,8 bilhões de dólares. Dos 36 brasileiros citados pela revista Forbes, é o único cujo negócio, formou-se e consolidou-se no Nordeste, antes de atingir dimensão nacional. O início histórico do grupo deu-se na pequena cidade de Cedro (CE), em 1927, que continua diminuta para os padrões atuais, com apenas 24.500 habitantes, com uma padaria.

Nem cartomantes e videntes poderiam prever a trajetória empresarial do nordestino e cearense Ivens Dias Branco. Não sei, por desconhecer sua biografia, se Dias Branco é um self made man, mas gostaria muito que fosse. Seria um personagem inspirador para muitos que não herdaram posição social ou riqueza de gerações pretéritas, sobretudo no Nordeste, onde tudo é mais difícil. Ser bilionário no Rio ou São Paulo é mais fácil. O maestro Tom Jobim já dizia que era mais fácil fazer sucesso no Carnegie Hall que no Maracanãzinho.

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