Por Gustavo Maia Gomes
O título foi copiado de uma música antiga de Luís Gonzaga, mas a história tem a ver com acontecimento de ontem. Minha filha foi tirar a segunda via da sua carteira de identidade. Teve de pagar R$ 15,05. Espantaram-me os cinco centavos. Cinco centavos são um terço de um por cento de R$ 15. Este é o percentual da receita que seria perdida se a taxa fosse fixada em redondos R$ 15,00. Na verdade, nem isso precisaria ser perdido.
Se um caixa de banco ganha R$ 3.000 por mês, seu custo mensal, para o empregador, contando todos os encargos, está muito próximo a R$ 6.000 ou, num cálculo aproximado, 1 centavo por segundo. Estimo que as complicações decorrentes de contar centavos para o troco impliquem, em média, dez segundos a mais de tempo por operação. Portanto, ao receber um boleto de R$ 15,05 (ao invés de R$ 15,00) o banco gasta dez centavos para cobrar cinco centavos.
Uma boa negociação entre governo e banco poderia levar ao seguinte acordo:
(1) o custo para o cidadão passa a ser R$ 15,00, mas, para cada boleto recebido, o banco pagará ao governo um adicional de sete e meio centavos.
(2) O banco terá feito um bom negócio, pois economizou dois centavos e meio de custos salariais em cada boleto recebido;
(3) o governo estará satisfeito, pois receberá dois centavos e meio acima dos R$ 15,05 que recebia antes;
(4) O cidadão estará feliz e propenso a votar no governador para presidente, porque pagou cinco centavos a menos do que paga hoje.
Além de tudo isso, no caso particular, eu, o pagador da taxa em nome de minha filha, também ficaria contente, pois não teria de carregar meio quilo de moedas no bolso pelo restante do dia.
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